Reis do Carnaval de Torres Vedras

Os Reis do Carnaval de Torres Vedras são dois homens da comunidade, sendo os seus simbólicos representantes durante o Carnaval.

A linhagem real teve início em 1923, apenas com o Rei, interpretado por Álvaro André de Brito. A partir de 1924, o Carnaval de Torres Vedras passa a contar também com uma Rainha, interpretada, nesse ano, por Jaime Alves (reconhecido como um dos grandes animadores dos primeiros tempos do Carnaval).

Sendo um dos papéis com maior visibilidade externa e carga simbólica na afirmação da tradição do Carnaval pela comunidade, são valorizados aspetos como a aparência física (potenciada pela maquilhagem), saber andar, acenar, beber ou comunicar. O testemunho passado pelos anteriores reis é consumado na transmissão dos atributos reais (coroas) e simbólicos (corno e abanico).

Atualmente, o processo de seleção do Rei e da Rainha está a cargo da Real Confraria do Carnaval. A direção propõe os candidatos e, em assembleia-geral, os seus membros elegem, por votação, quem irá desempenhar esses papéis. São também escolhidos os títulos reais, que mudam anualmente, mesmo que o reinado dure mais tempo.

A chegada e entronização dos Reis marca o início do período carnavalesco, baseando-se numa inversão dos poderes sociais: através da leitura de um discurso satírico e da entrega das chaves da cidade pela presidente da Câmara Municipal a Suas Altezas Reais.

Esta receção dos Reis remonta ao início do século XX. Na altura, consistia num cortejo real acompanhado pelos ministros e as suas matrafonas e bandas filarmónicas. O cortejo tinha início na estação ferroviária e seguia até ao Centro Histórico, com passagem obrigatória pelas associações recreativas.

O cortejo poderá ter sido inspirado pela tradição existente em Lisboa, entre 1904 e cerca de 1930. No entanto, a investigação aponta para que a chegada dos Reis e o cortejo tenha sido inspirado num episódio histórico local: a chegada de comboio de D. Manuel II a Torres Vedras no âmbito da comemoração do centenário da Batalha do Vimeiro, em 1908, que terá sido replicado e encenado satiricamente no período carnavalesco.

Os Reis partiam de Runa e chegavam de comboio à estação ferroviária de Torres Vedras, até cerca de 1980. Após alguns anos de interrupção, o ritual voltou a ser encenado a partir da estação ferroviária de Torres Vedras.

 

Fonte: Registo do Carnaval de Torres Vedras no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial